Passei a minha infância praticamente toda convivendo com outras famílias, e sempre me questionava o porque da minha família não ser do jeito que eu via as outras. Eu admirava a união da casa, e tinha certeza que aquele era o padrão certo familiar. Desde meus oito anos de idade minha mãe me colocava em situações na qual tinha que "me virar", eu gostava apesar de me sentir completamente só. E assim fui crescendo, meu pai não era de sangue mas me criou mesmo assim. Eu tinha uma grande admiração por ele! Ele portava de uma ignorância que acabei me tornando um ser ignorante também. Algumas vezes ele quis e até chegou me bater, e a pior foi quando eu era uma pré adolescente, e eu fiz a comida que ele odiou então pegou o prato de comida quente e com sua brutalidade jogou na minha cara. Talvez seja por isso que não gosto de cozinhar pra Seu Ninguém. Foi traumático. Por fim passei minha adolescência estudando e trabalhando, tinha um futuro promissor! Até quando meus pais se separaram e morando no mesmo lote ficaram por quase um ano, meu pai em uma crise de possessividade, pegou-lhe todas as mobílias da casa alegando que era dele, deixando eu e minha mãe apenas com um colchão de solteiro para dividirmos. Decidi não interferir na separação deles, dormi no barraco dos fundos com minha mãe mas a noite ia assistir TV com meu pai e conversar. Nesse meio tempo conheci Leo, o meu namorado da época. No dia que decidi levar Leo pra conhecer meus pais, foi o dia mais traumático da minha vida, meu pai ficou possuído de ciúmes ou sei lá o que, talvez ele achasse que Leo seria o novo homem de minha mãe, meu pai começou a nos insultar e quanto mais minha mãe não dava a mínima até chegar em um ponto de agressão, correu atrás de nós com um Pau e uma faca, ameaçando e intimando minha mãe e meu ex namorado. Foi um dia péssimo! Passaram-se os dias e minha mãe conheceu um novo parceiro e acabamos por morar juntos em uma outra casa. Praticamente um ano do ocorrido eu e Leo terminamos, e assim começou um outro pesadelo: a depressão. Uma tristeza sem fim e a vontade de me esconder das pessoas, achando que assim não atrapalharia a vida de ninguém. Permaneci por alguns anos, larguei faculdade e emprego, me isolava! Queria ter um filho, desde o meu relacionamento com o Leo mas era segredo meu e dele. Até que depois de alguns casinhos amorosos, conheci o pai do meu filho. No começo não quis, mas só alimentava a amizade e da amizade me apaixonei (sempre) e cega de paixão lutei pra ficarmos juntos mesmo que o mundo falasse o contrário (e ninguém gostava, em especial minha mãe). Nesse tempo viajamos e curtimos muito! Andei vários km só pra ficar com ele, acontece que nele eu sentia um "falso lar", aguentei tantas coisas mas sentia que ele me dava o que precisava: um lar. Uma família.
Eu estava carente demais pra enxergar qualquer coisa. Tão carente que desejava ser amada e sentia que era mesmo não sendo. Tive meu filho e com ele várias provações e a clareza de um relacionamento que não existia. Passei esses um ano e seis meses na casa de minha mãe, e esse tempo lutas diárias de voltar a fazer faculdade, estresses maternal e enfrentamentos de mãe com mãe. Nesse tempo tive que escutar que eu não fazia nada, não era nada, que eu dava muito trabalho. Ironicomente esse tempo foi o tempo que mais fiquei em casa com minha mãe desde os meus oito anos de idade, e descobri que parentes não são família, podem te ajudar para demonstrar que são bons mas na verdade querem te ver abaixo deles, nunca melhor. Minha mãe é uma mãe que vejo que não quer o meu melhor, ela só quer que eu vire uma empregada para ela, e estudar é perda de tempo. É uma mulher que me cobra tantas coisas que nem mesmo ela pode ser. Seria um sonho meu existir sonoridade entre nós, mas só existe uma competição inútil. Sinto me muito mais do que nunca que estou completamente sozinha com uma criança. Esse ambiente que era pra ser um lar familiar, só me deixa pior do que sou, como se cada palavra de minha mãe fosse uma faca que perfura meu corpo e me deixa cada vez mais fraca. Confiei sempre nela, pois ela seria o que chamo de base familiar mas já entendi que ela é minha lição humana de como ser escrota, e tudo é válido pois também vou precisar disso no mundo. Hoje me conformo que não terei um marido, mas algumas vezes quando estou carente sinto muita vontade de ter um mas agora compreendo que essa vontade é de ter uma base famíliar, um lar do qual há muito tempo não tenho.
Sigamos em frente! Que todo esse amor reprimido não vire amargura.
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